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abr 08 2016

exupery

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População em Situação de Rua de Campinas protesta contra violação de direitos

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A População em Situação de Rua de Campinas, em um ato político, se manifestou no sábado (02 de abril) para repudiar a violência cometida pela Guarda Municipal e violação de direitos humanos contra o segmento.

A atividade, que foi deliberada no Fórum da População em Situação de Rua, faz parte de um plano de ações que busca encontrar formas de denunciar e combater as violências direcionadas a essas pessoas.

A concentração para o protesto foi na Estação Cultura, logo pela manhã. A manifestação seguiu pela Rua 13 de Maio, principal via do comércio popular da cidade, e chegou à Praça José Bonifácio, conhecida popularmente como Largo da Catedral, que é um dos pontos onde a População em Situação de Rua de Campinas costuma se concentrar.

Os trabalhadores e trabalhadoras em situação de rua confeccionaram e levaram cartazes nos quais pediam respeito e repudiavam a violência cometida contra o segmento. Com o microfone em punho e à frente dos registros, a população em situação de rua dialogou diretamente com os trabalhadores/trabalhadoras do comércio e cidadãos/cidadãs que passavam pelo centro da cidade.

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Também foi distribuída uma carta aberta na qual ressaltava-se que toda forma de violência atenta contra a dignidade humana, a vida, a cidadania e a liberdade. Princípios presentes na Constituição Federal e Política Nacional da População em Situação de Rua.

Em Campinas, as queixas dos trabalhadores e trabalhadoras em situação de rua contra a Guarda Municipal são frequentemente relatadas durante o Fórum da População em Situação de Rua, que acontece mensalmente do município, e em rodas de conversas no serviços de assistência, mas não chegam aos órgãos de defesa dos direitos humanos como processo, pois essa população teme as represarias feitas “sutilmente” em cada abordagem, que impedem a construção de denúncias formais.

As denúncias são, principalmente, de agressão e truculência durante a abordagem dos agentes. Utilização de arma de choque e spray de pimenta, chutes, socos e coerção psíquica e física, estão entre os relatos dos trabalhadores e trabalhadoras que vivem em situação de rua na cidade.

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Para retratar essas ocorrências, na Praça da Catedral, um espetáculo de palhaço foi apresentado, no qual haviam representados dois personagens: a pessoa em situação de rua que ocupa os espaços públicos da cidade e o guarda que tenta retirá-lo desses espaços a todo o momento. A performance mostra o cidadão empoderado diante da truculência e abuso de autoridade do agente público. A pessoa em situação de rua ressalta que conhece os seus direitos, e que um deles é o de poder permanecer em espaços públicos da cidade.

Uma aula pública para reforçar os direitos da população em situação de rua e os canais de denúncias de possíveis violações dos mesmos também foi ministrada na praça por um representante do Conselho Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, da cidade.

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O ato foi ainda um momento de fortalecimento da autonomia da população em situação de rua com relação à produção de conteúdos de comunicação. Os próprios integrantes desse grupo fizeram os registros audiovisuais da manifestação, com o olhar particular de quem vive tal realidade.

Os registros são, também, uma forma de enfrentamento aos meios de comunicação hegemônicos, que alimentam e constroem um imaginário da cidade e da sociedade, em que as pessoas em situação de rua estão à margem, e são um outro a qual se deve temer, fortalecendo preconceitos e discriminações. Por vezes ignoram o conceito do segmento, associando­-os a mendigos, retomando o termo “vagabundos”, “incultos” e os associam sempre às drogas e criminalidade, sem noticiar ou apoiar ações em que estes se representem ou pratiquem seus direitos, conquistas e avanços da luta social. Essa grande mídia não tem proximidade com tais cidadãos/cidadãs e com as legislações destinadas ao segmento, defendendo e reafirmam ideias burguesas e não direitos.

Além de pessoas em situação de rua, trabalhadores, trabalhadoras e militantes participaram da manifestação, que foi organizada pelo Fórum da População em Situação de Rua de Campinas, Comissão de Visibilidade à População em Situação de Rua, Conselho Municipal de Direitos Humanos, Defensoria Pública e Anistia Internacional.

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