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mar 28 2016

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História Oral em Audiovisual

OrestesHistoriaOral

Por: Grupo Pedagogia da Imagem (Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS)

Apostila I – Manual de História Oral

Atualmente, a história oral tem influído no comportamento das disciplinas universitárias e atuado diretamente na conduta de museus e arquivos. Repercute em três aspectos:

O registro, arquivamento e a análise da documentação, com recursos da moderna tecnologia.

A inclusão de histórias e versões de segmentos populacionais antes silenciados por diversos motivos.

As interpretações não oficiais de acontecimentos manifestos na sociedade contemporânea.

Dá voz principalmente às minorias culturais e discriminadas como as mulheres, índios, homossexuais, negros, desempregados, migrantes, exilados, etc. Assim, ela humaniza os estudos até então centrados no âmbito institucional das macro-estruturas: partidos políticos, sindicatos, processos econômicos como a industrialização, a relação campo­cidade.

Prevalecem dois enfoques: o da “ história miúda”, o testemunho do cotidiano de pessoas anônimas, e da “ grande história”, baseada no cruzamento documental para sustentar análises historiográficas visando “ grandes explicações”. Há também historiadores que, vendo a história oral como expressão exclusiva das minorias silenciadas, justificam o estudo das elites especialmente no caso das situações de grupos que não geraram documentos ou circunstâncias em que se apresentam impedimento de registros.

Os trabalhos de história oral no Brasil são bem vistos internacionalmente. Sintetizam os avanços da história oral em outros países e aqui se realizam experiências multiétnicas, religiosas e de trabalho ainda não consideradas analiticamente.

Questionando a tradição historiográfica centrada em documentos oficiais, a história oral traz à tona a presença do passado no presente imediato das pessoas. Isto é, entendendo o passado como algo que tem continuidade hoje e cujo processo histórico não está acabado, a história oral garante sentido social à vida dos depoentes e leitores que passam a entender a seqüência histórica e sentir­se parte do contexto em que vivem.

Em face do debate sobre sua “ representatividade”, não é justo pensar que uma ou duas entrevistas “ representem” um conjunto.

Dá voz principalmente às minorias culturais e pensar que uma ou duas entrevistas “ representem” um conjunto.

Em vez de pensar nos pontos comuns que marcam uma experiência coletiva, fica claro que a história oral se preocupa com as versões individuais sobre cada fenômeno e que ela apenas se justifica em razão da soma de argumentos que caracterizam a
experiência em conjunto.

O conjunto das histórias, além de propor discussão sobre as motivações individuais, serve para que, se equiparadas, elas forneçam elementos capazes de iluminar o conjunto das individualidades que se sustentam sob alguns traços comuns.

Logicamente as comunicações com o geral, com o coletivo, são fundamentais. Mas serão melhores se não prejudicarem o particular que também tem seu sentido como experiência singular.

Em face do “ alcance histórico”, é preciso deixar claro que a história oral sozinha está mais próxima da micro­história que da macro. Isso não significa que a história oral é oposta à macro-história, mas sim, que ela precisa de um reforço para dar conta da macro­história. Quer dizer, na maioria das vezes, precisa de uma equipe e do cruzamento documental com outras fontes. Assim, se de um lado a história oral tem menor alcance e é relativa, de outra parte, ela subverte as generalizações, as visões historiográficas amplas e sem humanidade e singularidades . Aliás, entretecidos pelos fios da subjetividade, os contatos pessoais diretos entre depoentes e oralistas nas entrevistas são indispensáveis para se
produzir história oral.

Ao valorizar a “ palavra dita” como documento, a história oral aumenta o elenco dos personagens históricos: não mais apenas as grandes figuras, os heróis e senhores de renome ou as vítimas sacrificadas e todos aqueles que deixaram marcas arquivadas em espaços oficiais e oficializados, mas também agora a arraia-miúda, o zé­povinho cuja rotina de “ antanho” revela a lógica na vida coletiva de todos nós que vivemos no presente.

I­ – O que é história oral?

História oral:

*Recurso moderno usado para a elaboração de documentos, arquivamento e estudos referentes à vida social de pessoas.

*História do tempo presente

* História viva

História oral no Brasil:

A maioria dos historiadores propõe vínculos diretos entre a história oral e a sociedade, não se limitando aos círculos acadêmicos.

* Quase sempre o sentido prático da história leva a um posicionamento político manifesto na realização do projeto.

Na prática de sua elaboração, a história oral revela sua temporalidade e atualidade ao empregar os vários aparelhos tecnológicos contemporâneos ( gravador, vídeo, computador).

Mas, embora o uso dos meios eletrônicos de hoje signifiquem abandonar recursos antigos como anotações e memorizações, a
história oral continua fundada no encontro pessoal. Sem contato direto, não há história oral.

Quer dizer, a internet só serve para divulgar os resultados, não para fazer entrevistas.

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II­ – O Estatuto da História Oral

Método: Valorizando a História oral como método, os oralistas não se atém aos depoimentos, mas abrangem também os critérios de elaboração do projeto, de entrevistas, do processo de passar do oral para o escrito e de harmonia com o sentido das entrevistas.

Técnica: As entrevistas aqui não aparecem como objetivo central, limitando a ser um recurso a mais.

Entre os usuários de história oral, maior tem sido o grupo que a vê como objeto definido, com bases filosóficas e procedimentos que a justificam como método. Nesse caso, ela se torna o fundamento da pesquisa. É sobre ela que se organiza o projeto do trabalho.

Por outro lado, vale também não considerar a história oral unicamente como alternativa para a falta de documentação, tanto em termos de qualidade como de quantidade. Apesar de muitas vezes a existência de depoimentos colhidos no tempo presente ser usada para preencher vazios documentais, lacunas de informações e promover o diálogo com outras fontes já conhecidas, a história oral também mostra valores em si mesma, não sendo apenas um substitutivo. Ela pode facilitar a compreensão de aspectos subjetivos de casos que se apagam com racionalismos, objetividades e neutralidades das versões oficiais, ou são dificultados pela lógica da documentação escrita que usa um código diferente do oral.

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III­ – Características da História Oral

Sem gravação não se pode falar em história oral. Pode­se dizer que há três elementos como condição mínima da história oral:

1) o entrevistador;

2) o entrevistado;

3) a aparelhagem de gravação.

O mais comum são entrevistas individuais feitas com gravadores portáteis, de preferência com microfone embutido. Mas, já que a história oral é um recurso direto, o uso de maquinário, principalmente dos gravadores, deve ser complementar.

História oral é um conjunto de procedimentos que se iniciam com a elaboração de um projeto e continuam com a definição de um grupo de pessoas ( ou colônia) a serem entrevistadas, com o planejamento da condução das gravações, com a transcrição, com a conferência do depoimento, com a autorização para o uso, arquivamento e, sempre que possível, com a publicação dos resultados que devem, em primeiro lugar, ao grupo que gerou as

A história oral tem três tempos:

1) o da gravação;

2) o da confecção do documento escrito;

3) o de sua eventual análise.

No primeiro, no instante da gravação, é quando se materializa o documento inicial. Dele depende a seqüência dos demais passos da formulação da fonte capaz de dar sentido ao projeto. O segundo momento, o da produção do documento, envolve uma série de cuidados técnicos. E o terceiro_ a análise propriamente dita_ pode ou não existir em relação ao primeiro e segundo tempo.

Existem grupos que só aceitam a história oral se analisada. Isso requer todas as três etapas, sendo que a análise depende da transcrição. Mas, para outros oralistas, tanto a produção do texto quanto o exame da entrevista podem ou não ocorrer, sendo que para muitos, a mera feitura do documento já preenche os requisitos do conceito de história oral.

Há muitas pessoas que trabalham com história oral que apontam a gravação como o documento mais importante de história oral. Outras definem como documento a transcrição, que tem sido a forma mais aceita de documento de história oral devido à complexidade do processo e a carga de responsabilidade da

Seja como for, há três modalidades de história oral:

1) história oral de vida;

2) história oral temática;

3) tradição oral.

Todas as três formas implicam em entrevistas com pessoas em boas condições para se expressar e que dão depoimento independente de pagamento. Não se busca com as entrevistas descobrir a verdade ou verdades objetivas, mas sim a versão dos fatos. Dessa maneira, a história oral pode perfeitamente discutir experiências que ultrapassam a lógica plana do racionalismo, como êxtases espirituais e contatos esotéricos.

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IV – ­Um Pouco da História da História Oral

Apenas depois da Segunda Guerra Mundial é que a história oral emergiu com força. A moderna história oral nasceu em 1947, na Universidade de Columbia, em Nova York. Depois da guerra, os avanços tecnológicos combinaram com a necessidade de se propor formas de captação de experiências importantes como as vividas então por combatentes, familiares e vítimas dos conflitos.

O jornalismo foi um significativo degrau para os avanços da história oral. As revistas e os jornais ajudaram a divulgar depoimentos que eram, quase sempre, complementados por fotos.

Esse tipo de divulgação popularizou o depoimento como um gênero importante e integrado ao gosto urbano moderno.

De início a história oral combinou três funções complementares: registrar relatos, divulgar experiências relevantes e estabelecer vínculos com o imediato urbano, promovendo assim um incentivo à história local e imediata.

A história oral como entrevista tem um passado que poderíamos chamar de “ pré­história da história oral”. Diante de seu desprestígio inicial nos circuitos acadêmicos, alguns autores invocaram o pressuposto de que os primeiros historiadores, como Heródoto, legitimavam com o testemunho oral a descrição da“ verdade” do que se via .

Esse “ método” foi a base para a história oral pura, que trabalha apenas com depoimentos. Seja apenas uma ou várias narrativas, a história oral pode tanto revelar a entrevista como a análise dela, desde que apenas sejam considerados os depoimentos como fontes. A história oral pura está vinculada ao tratamento de “ método” conferido às entrevistas.

Tucídides discordava do “ método” de Heródoto. Propunha estudos que combinavam testemunhos com outras fontes. Esse critério _ que não descartava os depoimentos_ pode ser considerado inspirador da história oral híbrida, onde as entrevistas são usadas enquanto técnica.

Entretanto, à medida que ocorria o distanciamento dos acontecimentos imediatos e a relação com situações distantes se impunha, surgia a necessidade de credibilidade documental. O império romano, por exemplo, dada a vastidão territorial e a complexidade das culturas dominadas, exigiu uma burocratização administrativa que implicava, para o melhor controle e domínio, conhecimentos históricos. A história feita então não poderia ser mais apenas testemunhal.

Na Idade Média, com os monges copistas, isso tornou­se mais  óbvio. A partir da descoberta da imprensa, a validade do escrito sobrepujou, em muito, tudo o que era dito. No século XIX, as ciências e a literatura apoiaram­se na palavra grafada para centrar nela sua credibilidade científica. Este trajeto implicou numa ditadura da palavra escrita que contrasta até hoje,com a fragilidade da palavra oral.

Mas a par do primado da escrita, os depoimentos continuaram a ser valorizados para alguns historiadores. Assim fez Michelet, ao registrar a História da Revolução Francesa em1789, e Macaulay, ao fazer a sua História da Inglaterra a partir do reinado de Jaime II(1848­55). A partir do século XIX, com Karl Marx e Frederich Engels, fundadores do comunismo, a esquerda registra a voz operária para poder usar a escrita.

O grande salto da “ pré­história da moderna história oral” foi dado nos anos 1918­20, quando a escola de sociologia de Chicago elaborou regras capazes de dar credibilidade às histórias de vida. Esse esforço foi caracterizado por um projeto norte-americano que,em 1938, pretendia recolher de cidadãos ilustres as mais completas informações sobre suas trajetórias. Nos anos 50, seguindo o modelo da Universidade de Columbia, várias associações e universidades começaram projetos de história oral, mais centrados na história oral das elites.

Apenas recentemente a oralidade vem sendo cobiçada como fonte de captação e meio capaz de promover a análise social por meio de entrevistas.
A sistemização que efetivamente permitiu à história oral ter respeitabilidade remete à sua retomada na Inglaterra pelo grupo da chamada nova esquerda, nos anos 60.

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V­ – A História Oral no Brasil

No Brasil, a história oral demorou para se desenvolver devido principalmente a dois fatores: falta de tradições institucionais não-acadêmicas que registrassem as histórias locais e a ausência de relação entre universidades e a cultura popular de cada local.
Paralelamente, a escassez de estudos sobre folclore e as barreiras à multidisciplinaridade dificultaram o início dos projetos de história oral. E, além disso, enquanto a contracultura e as novidades tecnológicas ( gravadores, máquinas fotográficas e outros meios de registros visuais e auditivos) alimentava a história oral em outros países, o golpe militar de 64 sufocou seu desenvolvimento no Brasil.

Com a campanha pela anistia no fim dos anos 70 e principalmente depois da abertura política em 1983, cresce a busca pela retomada da história oral, impulsionando universidades, arquivos e museus. Uma das razões que explicam a adesão brasileira às práticas da história oral é a frustração reinante nos círculos acadêmicos que não mais se satisfazem com os resultados anteriores. E, por outro lado, aumenta e se diversifica o interesse dos movimentos sociais pela abordagem da

Fora das universidades, levantando questões da história local e das comunidades, pequenos e grandes museus também têm interligado o saber acadêmico e as necessidades regionais de exame social de questões específicas. Contra os determinismos das grandes estruturas, a história oral subverte as tendências massificantes que “ expulsaram” os seres humanos das reflexões

O desenvolvimento da história oral é estimulado principalmente a partir de 1992, no Congresso Internacional América 92: raízes e

trajetórias, quando se propôs criar uma Associação brasileira de história oral , que aconteceu em abril de 1994. Antes, depois de 1975, a Fundação Ford e a Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro se vincularam num registro historiográfico dos depoimentos da elite política nacional. Baseado num modelo importado e voltado à pesquisa durante as perseguições da ditadura, o projeto de história oral do CPDOC/FGV não ganhou o público e se prendeu a críticas e sínteses da produção estrangeira.

Embora sem desmerecer as trocas importantes com outros círculos de oralistas, os estudos atuais procuram características específicas que marcam nossa experiência cultural.

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VI­ – Quem é quem em História Oral

Os avanços tecnológicos da modernidade e os debates sobre relações éticas, de direito à autoria e a função social do produto intelectual instigam preocupações com o papel da entrevista na história oral. Esse cuidado a diferencia do jornalismo. Enquanto este usa a entrevista como propriedade sua e de modo imediato, a história oral lhe reserva a condição de meio sujeito a juízo.

Diferente da outras tradições disciplinares_ que dão ao entrevistado a condição de” objeto de pesquisa”, “ ator”ou “informante”_ a história oral atualmente redefine o relacionamento entre entrevistado e entrevistador. Reconhecendo o último como colaborador, ela estabelece uma relação de afinidade entre as partes.

O entrevistador deixa de encarar o entrevistado co mo um reles objeto de pesquisa e trabalha de maneira mais sensível e compartilhada.

Por sua vez, a importância do colaborador cresce. É ele quem decide se a parte ou o todo da entrevista será publicado além de poder e dever participar das etapas de transcrição e revisão do texto. Como o depoente escolhe o que narrar e revelar, ele tem o poder de comandar os rumos da entrevista_ o que contrabalança o aparente controle sobre a relação que o entrevistador teria. Na verdade, a relação de poder continua até depois das entrevistas, cujos detalhes são supervisionados pelo autor das transcrições_mas tudo pode ainda mudar, na conferência das entrevistas, até se chegar ao texto final.

Outra questão polêmica na história oral é a da autoria. Afinal, quem é o autor, quem conta a história ou quem a redige? Apesar de o tratamento dado ao depoente ser o de colaborador, mediante as responsabilidades do escrito, o autor deve ser smpre quem colhe a entrevista, dirige o projeto e assume publicamente a responsabilidade sobre o que está escrito e gravado.

Toda entrevista, depois de acabada, deve ter um duplo termo de cessão assinado pelo depoente. É por meio deste documento que se garante a existência pública do depoimento e os direitos de uso da entrevista ( gravada ou escrita).

A carta de cessão tem de ser clara, pessoal, feita com cópia registrada em cartório quando se fizer necessário e revelando os limites do uso da entrevista( se, além de poder ser ouvida e publicada no todo ou em parte, se pode ou não ser colocada em uso imediatamente ou se deve aguardar prazos e neste caso, quais). A Inclusão ( ou não) da entrevista nas páginas da internet também deve ser garantida.

Projetos que trabalham com situações de risco, de vexames, de impressões comprometedoras sobre outros, podem valer­-se da invisibilidade. Só que tem que ficar claro o nível e as razões do “ disfarce” na apresentação do trabalho.

Nesses casos, também é importante que se tenha a autorização do colaborador para publicar o depoimento. Da mesma forma, o leitor deve ser avisado.

Uma das questões centrais na história oral envolve o reconhecimento do papel social do depoente. Nesse sentido, igualmente é o número de pessoas ligadas a um projeto.

Em face do papel público do depoente, deve­se ter em conta que todos os testemunhos são válidos, dependendo do projeto e independentemente de classe social, status ou fama do narrador. O argumento decisivo para marcar o limite do número de entrevistas depende da utilidade e do aproveitamento delas. Quando os argumentos começam a ficar repetitivos, deve-­se parar.

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VII­ – O “ Eu” e o “ Outro”

Outro ponto polêmico é a definição do “ eu narrador”. Enquanto a entrevista não está autorizada para vir a público, o eu dominante é o do narrador; depois, com o trabalho de edição e o acordo permitido pelo depoente, a autoria passa a ser do diretor do projeto.

Mas, é bom lembrar, ao apresentar o produto final do texto, o oralista se preocupa em esconder sua intervenção para destacar o narrador. Para o autor significa que, quanto menos ele aparecer, melhor sairá o produto de seu trabalho. Todo trabalho de história oral busca esclarecer situações objetivas ou subjetivas. De qualquer maneira, será sempre uma versão dos fatos acompanhada de um juízo de valor.

Quatro fatores diferenciam as entrevistas em história oral das realizadas em várias outras áreas:

1) a técnica usada para registrar os depoimentos;

2) a transcrição que revela a função do eu;

3) o uso analítico ou não das mesmas;

4) o resultado a que se destina( se para a academia ou para o público em geral).

A história oral tem um claro comprometimento com o público. Ela é, porém, produto de um saber instruído. Pela lógica deve ter lugar na universidade, mas também é direito de outras camadas realiza-la. O que deve ser visto com cautela é seu uso comercial ou a banalização promovida por pessoas inescrupulosas, curiosos, diletantes.

Projetos mais completos de história oral, muitas vezes, abrangem múltiplos aspectos de uma mesma questão. Preocupam­se não só em dar voz aos vencidos, mas também em registrar as razões dos vencedores ou dos participantes pouco conhecidos em algumas tramas.

O fato de haver entrevistas de diferentes posições não significa que há cumplicidade com os ramos opostos. Entrevistar torturadores, por exemplo, não quer dizer partidarismo afinado com eles. Por outro lado, o projeto ficará muito mais rico com as vozes destoantes.

Diversidade e multiplicidade também caracterizam a transmissão de significados. Diferenças de gênero e dos códigos vocabulares próprios a categorias profissionais ou grupos “ clandestinos” e marginalizados marcam a linguagem, com influências para a distinção das falas.

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VIII­ – História Oral de Vida

A história oral de vida é muito mais subjetiva que objetiva. Como o próprio nome indica, trata­se da narrativa do conjunto da experiência de vida de uma pessoa. Por isso mesmo, tem que ser dado espaço para o narrador encadear sua história como ele

Guia Prático de História Oral

Fundamentos: História Oral é um conjunto de procedimentos que se iniciam com a elaboração de um projeto e que continua com a
definição de um grupo de pessoas a serem entrevistadas. Entrevista é parte do projeto. Não vale confundir entrevista como se fosse o trabalho em história oral. O que caracteriza a entrevista em história oral é a sistematização dos processos organizados pela lógica proposta no projeto inicial.

Sem projeto, não há história oral. Um projeto funciona como mapa da pesquisa e prevê:

1. planejamento da condução das gravações segundo indicações previamente feitas;

2. respeito aos procedimentos do gênero escolhido e adequado de história oral;

3. tratamento da passagem do código oral para o escrito, no caso da elaboração de um texto final para a pesquisa ou escritura de um livro;

4. conferência de gravação e validação;

5. autorização para o uso;

6. arquivamento e/ou eventual análise;

7. sempre eu possível, publicação dos resultados em: catálogos, relatórios, textos de divulgação, sites, documentários em vídeo ou exames analíticos como dissertações ou teses.

História Oral: Fins e Meios

Pensada em série de registros gravados, como fim, a proposta de história oral se esgota na constituição de arquivo ou coleção de entrevistas. Organizam­se bancos de histórias ou conjunto de gravações que se orientariam segundo relatos de grupos atentos à própria presença em contextos sociais ou institucionais, como: migrantes, emigrantes, grupos profissionais, agremiações de manifestantes de determinada causa, escola, empresas, setores profissionais ou de lazer ou ainda participantes de determinado evento circunstancial como campanha ou testemunho.

Com planejamento cuidadoso, as entrevistas se reúnem em bancos de história. Neles, não há uma análise imediata, mas já se dispõem a exames futuros baseados nesses acervos. Muitas instituições iniciam seus cuidados na organização de tais bancos relacionando seu conteúdo ao acervo de documentação escrita_tudo sob a guarda do que vem sendo costumeiramente chamado de centros de informação, de documentação ou de memória.

(Fonte: MEIHY,Jose Carlos Sebe B. Guia Prático de História Oral para empresas, universidades, comunidades, famílias / Jose Carlos Sebe B. Meihy e Suzana L.Salgado Ribeiro, ­ São Paulo : Contexto, 2011)

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