«

»

jul 23 2016

exupery

Imprimir Post

A SEDA abre sua programação em 2016 e pauta “O que são Práticas Democráticas?”

SEDAGERAL

A Semana do Audiovisual Campinas 2016, em sua sexta edição na cidade acontecerá de 31 de Julho à 07 de Agosto, em vários espaços da cidade. Esse ano, trará em suas atividades a grande pergunta que todos estão cansados de ouvir e de falar, mas que em sua prática, se demonstra de várias formas interpretativas: “O que São Práticas Democráticas?” No Audiovisual, na comunicação, na cultura, nas estruturas de poder, nos espaços públicos, nos serviços sociais, nos campos de decisão política e no nosso convívio público e privado do cotidiano.

Estão tod@s e tod@s convidad@s para imergir nesse movimento, nessas vivências e nessa troca de saberes que tem como intuito central de construir e compor espaços de trocas e práticas da diversidade social.

Veja a programação completa: https://moinhocoletivo.wordpress.com/programacao-seda/

O QUE É A SEDA CAMPINAS – SEMANA DO AUDIOVISUAL 2016

A Semana do Audiovisual – SEDA, é um festival de audiovisual e multimídias que acontece de forma integrada com outras cidades do Brasil e América Latina. É por princípio um festival alternativo e independente, um evento comunitário, inclusivo, descentralizado e plural, que incentiva e estimula a produção e a discussão de obras audiovisuais nacionais no micro e no macro, numa perspectiva de incidir como tecnologia social para organização, formação e participação de grupos, coletivos e movimentos de cada cidade nas temáticas selecionadas em reuniões abertas e descentralizadas.

Tem como intenção produzir, formar, refletir, debater e propor temáticas artísticas, sociais e populares por meio das linguagens audiovisuais nas múltiplas formas de expressão alternativa e marginal. Incentivar também a produção colaborativa e partilhada na construção de espaços cognitivos e interconectados para, por meio de processos e obras audiovisuais, protagonizar outras realidades e narrativas sociais em Campinas-SP, em outras cidades e no âmbito nacional.

Tem o intuito de compor em cada localidade na perspectiva de rede SEDAs, a circulação e intercâmbio de filmes, experiências audiovisuais e seus realizadores, programas de web-TV, rádio, fotografias, imagens, sons e músicas, como também a proposição de formações e práticas em tecnologias e pedagogias livres que possibilitem expressões e produções partilhadas de conhecimento entre @s envolvid@s e interessad@s.

Traz a perspectiva de participação, composição e organização das temáticas sociais e populares dentro das potências das linguagens multimídias e, propõe a construção de um debate temático por meio dos atores e protagonistas da localidade. Assim, amplifica e aprofunda os debates e pautas das diversas frentes temáticas de modo a encontrar a identidade e pertencimento das questões sociais colocados entre grupos, coletivos e a ampla sociedade.

O conceito da curadoria da Semana do Audiovisual é fazer circular, difundir e debater obras audiovisuais nacionais que tenham um caráter independente e/ou alternativo, que sejam atuais e de interesse social e a partir de temáticas identitárias e subjetivas de grupos, coletivos e organizações que não se sentem representadas nos meios hegemônicos. Construir espaços de diálogo acessíveis, inclusivos, horizontais e democráticos de construções do saber público e comum.

CARTA ABERTA DA SEMANA DO AUDIOVISUAL 2016
QUEM SEGURA O REGGAE?

A Semana do Audiovisual Campinas 2016 traz como demanda de debate para a cidade “O que São Práticas Democráticas? No Audiovisual, na comunicação, na cultura, nas estruturas de poder, nos espaços públicos, nos serviços sociais, nos campos de decisão política e que esses, quando existirem, que sejam para todos e todas.

Pleno 2016, Campinas-SP, a luta pelo direito e pelo acesso aos meios produtivos de comunicação, do audiovisual e do cinema no país tem se mostrado cada vez mais evidentes pelos tensionamentos políticos e midiáticos. Evidente também é o cerceamento desse direito por parte dos interesses corporativos e econômicos, historicamente gerados pelas políticas públicas privatistas e concentradoras de poder dentro do setor da comunicação, do cinema, do jornalismo, das mídias sociais e das tecnologias da informação em geral.

É contra essa matríz política segregadora e excludente que vários movimentos historicamente vem lutando e se posicionando para contrapôr um sistema capitalista e uma forma de organização das açoes governamentais sob a lógica de venda de conhecimento, de informação, de utilização do acesso à arte e à cultura, a transformação de bens públicos sociais em um grande mercado do entretenimento. É também na luta contra a hegemonia dessa matriz de políticas que os festivais das Semanas do Audiovisual (SEDAs) surgem em meados de 2009 por várias cidades do país, pensando novos circuitos e novas produções nos cernes dos debates, no acumulo de outros movimentos e que, até o momento histórico deste texto, vem propondo essas discussões na perspectiva de proporcionar o diálogo, a visibilidade e o debate dessas contradições e demandas, reivindicatórias.

Estamos falando da latente necessidade de constituir políticas públicas, recursos e estruturas para a produção, veiculação, difusão e circulação de conteúdos midiáticos e audiovisuais de nichos sociais que somente com muita dificuldade ou privilégios conseguem efetivar o ato de se comunicar. Estamos falando de acesso. O direito à comunicação para além do ato de receber informações, mas também produzi-la, com saúde, dignidade e autonomia de qualquer cidadão.

No município de Campinas, essa falta de políticas públicas para o setor de multimídias – o que incluí o audiovisual – não é diferente de outras realidades do país. A única política de investimento à cultura na cidade é o Edital anual “Fundo de Investimento à Cultura de Campinas (FICC)”, onde, além de contemplar um ínfimo número de projetos de cada nicho por ano, tem curadoria e seleção de um mesmo grupo: um Conselho Municipal de Cultura vencido e ilegitimo que há mais de 6 anos seleciona e premia à portas fechadas; mesmo com uma nova conferência de cultura realizada em 2014 legitimamente eleita por vários setores da cultura e da sociedade civil, ainda não foi atualizado pelo poder público municipal. Outra política cultural realizada pelo poder público municipal atual é o do “quem pode mais, chora menos” ou até do “quem não chora, não mama”. Politicas de balcão, pautadas pelo critério da méritocracia e/ou hegemônica e de “bons contatos” dentro da Secretaria de Cultura de Campinas-SP. Esse tipo de política é um desrespeitando as multiplas potencias culturais que pulsam no cotidiado de Campinas e sua região, que negam as periferias e os diferentes níveis de acesso e possibilidade de participação na construção de em uma só cidade, comum para todos.

Em nossa posição de movimento independente – e com certo acumulo nesse percurso da SEDA – hoje conseguimos apontar com mais propriedade os buracos que as políticas municipais deixam nessa avenida que se diz “para todos” pisarem. Não, não estamos falando da Av. Francisco Glicério e nem de sua falta de mobilidade, diálogo e inclusão. Estamos cansados dessa falácia de participação e protagonismo que não se dá na efetividade das ações políticas. Estamos falando de uma política de cultura e de cinema para e com as várias realidades da cidade. Uma política popular para o cinema independente, alternativo, marginal, periférico, novo, de rua e outros que só surgirão quando houver espaço, políticas inclusivas e outros direitos garantidos.

Políticas para fazer audiovisual de luta onde se luta pelo saneamento básico, a energia elétrica, a água, o acesso à moradia, o direito de resposta. Um audiovisual que seja também expressão e instrumento de diálogo e criticidade, onde os donos do poder não destilam nada além das falas discriminatorias da imprensa empresarial e notícias de desapropriação, reintegração de posse e de criminalização da juventude, da pobreza, dos violados de seus direitos de se comunicarem. Um audiovisual que corresponda à tudo que é irreconhecível pelos padrões hegemônicos como sociedade.

Em seu sexto ano de atuação em Campinas, mais uma vez a SEDA batalha por espaços de construção de voz, mas também de escuta de práticas culturais no campo da cultura, do digital, multimídia e audiovisual, em frentes temáticas de luta social na cidade, no estado e no país. O grito audiovisual que resiste faz tempo, mas que os mecanismos de veiculação deixam de escutar e não querem ver.

A quem interesse o debate: Estamos num país onde a democratização dos meios de comunicação, está longe de acontecer efetivamente, numa conjuntura de cinema brasileiro onde o debate sobre cinema público, difusão e circulação livre de obras audiovisuais enquanto política inclusiva e de direito e bem cultural comum – muitas vezes pagos com dinheiro público – tem uma disputa de interesses comerciais imenso.

A liberdade de expressão é chamada de ofensas às famílias de bem e de racismo ao contrário. Mas o que esperar de uma cidade que nunca teve uma política que assumisse o compromisso do acesso ao cinema fora dos centros e das elites, do capital, dos oligopólios, o que esperar de uma cidade que majoritariamente sempre teve como referência e prioridade de circuitos comerciais de cinema dentro de shoppings centers e de um “jornalismo” que publica somente a voz do poder e dos grandes best-sellers nas grandes empresas e grupos da comunicação privado? O que esperar dos festivais mais rentáveis serem os mais visibilizados e, claro, os que re-produzem o grande glamour das novelas e das outras fofocas que re-afirmam o modelo padrão branco, masculino e alisado das capas dos periódicos. O que esperar do que dá manutenção a tudo isso?

Partimos daí. Enquanto for necessário existir, resistiremos.

Mais informações e a programação completa:
https://moinhocoletivo.wordpress.com/programacao-seda/

Transmissão ao vivo pela web da Semana:
http://socializandosaberes.net.br/
http://midialivrevaijao.art.br/web-tv-ao-vivo/

Link permanente para este artigo: http://midialivrevaijao.art.br/a-seda-abre-sua-programacao-em-2016-e-pauta-o-que-sao-praticas-democraticas/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

ChatClick here to chat!+