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jan 16 2018

Ana Maria Furlan

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MANA LUTA! – ÚLTIMA REUNIÃO ABERTA

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MANA LUTA! – ÚLTIMA REUNIÃO ABERTA

Manas! Venham participar da última reunião organizativa da Mana Luta!, que acontecerá dia 18 de janeiro (quinta-feira), 19h00, no Museu da Imagem e do Som de Campinas.
Teremos outras reuniões, entretanto essa é a última semana que acolheremos novas propostas – tendo em vista que o bonde já está pesado!
Chega junto!

A Mana Luta! é fruto de nossa revolta e rebeldia: um evento independente organizado por e para mulheres como forma de mostrarmos as nossas resistências cotidianas que eclodem por todos os cantos, nas ruas, nos muros, nas músicas, nas telas, nas imagens, nos gritos, nos rabiscos, nas escritas….
A ideia é realizar um encontro artístico-cultural de múltiplas linguagens para compartilharmos experiências, trocarmos afetos, saberes, aprendermos com as tantas produções realizadas por mulheres e nos fortalecermos!
Mais do que denunciar as variadas formas de violências que somos submetidas queremos mostrar nossas vozes de insubmissão, as tantas formas de resistência semeadas no dia-a-dia.
A luta se faz em variadas frentes. Nossa arte é política!

Em um país misógeno como o Brasil, 2017, assim como os anos antecedentes, foi um ano marcado por estados de violência contra a mulher, manifestos em acontecimentos com os quais não nos acostumaremos
nunca. Nunca.
Na cidade de Campinas iniciamos o ano com um crime de ódio que resultou no assassinato de doze pessoas. Entre elas, nove eram mulheres, e, em carta o autor justificava-se culpando o ‘sistema feminista’ e a loucura
das mulheres vadias. Este foi um típico caso de feminicídio, morte de mulheres pelo fato de serem mulheres, e as autoridades insistem em fechar os olhos e negar esta tipificação.
Em uma sociedade machista e patriarcal, o feminicídio é o limite da violência da qual uma mulher é vítima. Antes de ser submetida à morte pela condição de ser mulher, mulheres vivenciam estados de opressão em
diferentes intensidades. E em diferentes espaços: domésticos, de trabalho, de lazer, espaços privados e públicos. Nas relações afetivas, nas relações onde existe confiança. Não vamos repetir aqui a construção
da mulher como subalterna e por isso desvalorizada, seja nas profissões, nos salários, nas decisões familiares e no trabalho doméstico. Por isso
é importante ressaltar que agressores não são incapacitados ou doentes… são consequência de uma sociedade que agride enaturaliza a violência. São filhos saudáveis e muito bem criados do patriarcado.

Nesse mesmo ano, nessa mesma cidade, uma mulher do movimento social de comunicação independente denunciou seu companheiro de luta pelo crime de
estupro.
Violência contra a mulher deve sempre ser uma pauta urgente. Quando a violência acontece entre os nossos, entretanto, o debate encontra diversos entraves permeado pelas subjetividades, pelas relações pessoais e pela hierarquização de pautas, mesmo junto àqueles que no discurso combatem a opressão e as violências.
Somos questionadas o tempo todo sobre a veracidade dos fatos, culpabilizadas, ridicularizadas, tomadas como exageradas e deslegitimadas. No limite, o que comumente ocorre é a saída das mulheres destes espaços – a gente dá um tempo, espera e se cuida sozinhas ou entre as nossas – e assim são os nossos vínculos que se rompem, os nossos espaços que se desfazem, somos nós que nos afastamos da cena
política da qual fazíamos parte para aguardar a poeira baixar. Mas não dessa vez! A novidade que anunciamos a plenos pulmões é: NÃO SEREMOS NÓS QUE RECUAREMOS.
A gente responde com garra e resistência, com a primeira – de muitas – Mana Luta!.

Esquecer jamais. Mas mais do que escrever e expor o que nos mingua, escolhemos com a primeira edição da Mana Luta! entender luta de maneira ampla e assim gritar nossas resistências. Mais do que as vítimas de
estados de opressão às quais somos submetidas, mulheres são sujeitas ativas de suas próprias resistências, tecedoras dos fios de suas lindas
narrativas.
Os movimentos feministas são diversos, assim como as formas que encontramos para resistir, fazer da vida uma possibilidade que nos seja cada vez mais digna. Para que a produção, a saúde, a cultura, os amores
e os sorrisos – sim, reivindicamos os amores e os sorrisos – também sejam nossos, é necessário desobedecer. O mundo é ruidoso, por isso
gritamos alto: desobedeçamos. Subvertamos!

Atrás de cada uma de nós, quinhentas. Machistas, atentos: estamos nas ruas de Campinas. E não estamos sozinhas.

Venha construir com a gente!

 

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